No luar que a pele branca em si encerra,
Dois olhos verdes, astros de obsidiana,
Fitam o gozo, a substância vã, profana,
Que a travesti, em seu transe, enfim desterra.
Eu, sob o signo do desejo, a serra
Da tua essência sinto — chama insana! —
O néctar branco, em gota soberana,
Que a minha boca, em devoção, soterra.
Alabastro vivo, em curvas de um desejo,
Que a luz da lua em corpo de mulher
Transforma em templo a carne que eu cortejo.
Tomo o fluido, o prazer que hás de verter,
Neste batismo em que, em cada lampejo,
A alma se perde, a se deixar colher.
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