quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Altar de Alabastro


No luar que a pele branca em si encerra,

Dois olhos verdes, astros de obsidiana,

Fitam o gozo, a substância vã, profana,

Que a travesti, em seu transe, enfim desterra.


Eu, sob o signo do desejo, a serra

Da tua essência sinto — chama insana! —

O néctar branco, em gota soberana,

Que a minha boca, em devoção, soterra.


Alabastro vivo, em curvas de um desejo,

Que a luz da lua em corpo de mulher

Transforma em templo a carne que eu cortejo.


Tomo o fluido, o prazer que hás de verter,

Neste batismo em que, em cada lampejo,

A alma se perde, a se deixar colher.

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