antigamente
eu queria ser poeta
sem contar
com a aprovação de ninguém
mamãe dizia
tudo bem meu bem você
escreve muito bem
e lá eu seguia pela
estrada da vida sozinho
no meu bolso chiclete
de mascar
do outro lado do campo
as estrelas e as vacas
e meus dedos cansados
de trabalhar
mas assim eu era
diziam que eu era gay
mas eu não era
embora o professor
de filosofia chupasse
meu pau
com o meu conssentimento
eu também chupei pau
do negro no cafezal
escuro e juro juro que
não me arrependo
frequentei igrejas mesquitas sinagogas
comprei todos os livros sagrados
depois comprei um computador
e passei a escrever meus poemas direto nele
e por fim
o poeta que era poeta
se transformou em poeta
mesmo sabendo que o final do final
é se transformar (seja homem, mulher,
cachorro, veado, trans, traveca, traveco,
cu, buceta, xota, xotinha, desejos reprimidos,
gozo de cavalo, muita porra)
se transformar em pó
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