Na roda do tempo, onde o falcão se perde,
Onde a mente tece o fio do próprio medo,
Dizem que o Céu é apenas um verde
Pintado no muro de um pálido segredo.
"É projeção!", clama o sábio no deserto,
"Um fantasma moldado pelo facho da dor,
O reflexo de um pai, de um peito aberto,
Criado no vácuo de um antigo clamor."
Mas se a alma, em seu exílio de argila,
Sonha com fontes que a terra não viu,
Seria a sede uma mentira tranquila,
Ou a prova de um rio que o mapa traiu?
Pois se o pão é real porque o ventre reclama,
E a água responde à febre do lábio,
Por que seria falsa a secreta chama
Que busca o Eterno no Reino do Sábio?
Não somos mendigos de um nada dourado,
Mas viajantes que guardam o cheiro do lar;
Se o desejo existe, o banquete é sagrado,
E há mais que cinzas além do luar.
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