O asfalto queimava sob os pés de João, de quinze anos, quando ele se perdeu nas vielas do centro. A cidade respirava suor e gasolina, e ele só queria encontrar o caminho de volta para o ponto de ônibus. Foi então que a voz dela cortou o ar:
— Ei, gato… Tá perdido?
Era uma mulher com um vestido colado ao corpo, a maquiagem borrada pelo calor. Os olhos dela escorregaram por ele, lentos, calculistas. João engoliu seco. Nunca tinha visto uma mulher daquela forma—tão exposta, tão perto.
— Eu… Eu tô procurando a Avenida São João—ele mentiu.
Ela riu, arrastando os dedos pelo próprio decote.
— Por essa cara, você tá procurando outra coisa.
João sentiu o sangue correr para lugares que não entendia. Antes que pudesse reagir, ela agarrou sua mão e puxou para um beco. O cheiro dela era forte, doce e ácido ao mesmo tempo.
— Sabe chupar? — ela sussurrou, levantando a saia.
Ele não sabia. Mas aprendeu. Aprendou com a língua travada, com os dedos trêmulos, com o gosto salgado que grudou no céu da boca. Ela gemeu, puxou seu cabelo, e ele achou que ia morrer ali—de vergonha, de tesão, de medo.
Quando acabou, ela limpou a boca dele com o polegar, sorrindo.
— Tá vivo ainda, princesa?
João enfiou a nota na mão dela e saiu cambaleando. Na esquina, parou, olhou para trás. O beco estava vazio. Como se nada tivesse acontecido.
Ele respirou fundo, enxugando o suor no rosto.
— Porra… devia ter procurado um homem.
E sumiu na multidão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário