sábado, 7 de março de 2026

A Máquina do Desejo


O sertão não é o cio:

é o osso que se expõe.

Onde o couro se distende

no sol que tudo decompõe.


O olhar pornô, brota

essa imagem sem relevo.

O sexo aqui é mecânico,

um engenho em seu desterro.


É o atrito de engrenagens,

eixo, ferro, graxa, dente.

O prazer que não flutua:

ferra a carne, rudemente.


Corpo contra corpo, enfim,

como a pedra contra a pedra.

Onde o que é bicho se cala

e o que é mineral se esmera.

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