segunda-feira, 2 de março de 2026

A CULTURA DA FERIDA



Eu vi a terra rachada, não pelo arado,

mas pelo peso do silêncio que se seguiu.

Um silêncio que os pássaros, atordoados,

não sabiam como preencher.


As bombas não trouxeram apenas o fogo;

elas semearam uma tristeza que brota,

geração após geração, como um líquen

estranho e persistente nas pedras da alma.


Onde buscar o mel da humanidade?

Não nos discursos, nem nos heróis de metal,

mas na mão que treme ao segurar outra mão,

na urgência de proteger o que é frágil.


Este poema é uma oração pela delicadeza,

a única força capaz de desarmar

o medo. A única força capaz de

fazer a vida, teimosamente, recomeçar.

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