Eu vi a terra rachada, não pelo arado,
mas pelo peso do silêncio que se seguiu.
Um silêncio que os pássaros, atordoados,
não sabiam como preencher.
As bombas não trouxeram apenas o fogo;
elas semearam uma tristeza que brota,
geração após geração, como um líquen
estranho e persistente nas pedras da alma.
Onde buscar o mel da humanidade?
Não nos discursos, nem nos heróis de metal,
mas na mão que treme ao segurar outra mão,
na urgência de proteger o que é frágil.
Este poema é uma oração pela delicadeza,
a única força capaz de desarmar
o medo. A única força capaz de
fazer a vida, teimosamente, recomeçar.
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