Disse o beduíno ao viajante, sob o clarão da lua de Bagdá: Não busques em mim o que não tenho, Pois não se colhe tâmaras em solo onde o destino não plantou, Nem se extrai água de poço que o simum da vida secou.
O que não posso te dar, ó irmão de jornada, Não está guardado em cofres, nem sob sete chaves de prata, Pois a aritmética de Deus é justa e exata: Ninguém pode subtrair o nada, nem somar o que a alma não retrata.
Olha para as minhas mãos: elas trazem os calos do caminho, Mas não carregam o rubi que procuras com tanto empenho; Busca a paz naquilo que sobra, e não na falta do que não tenho. Pois mais rico é o deserto que aceita sua própria nudez, Do que o califa que conta, em vão, o que não possui nem uma vez.
Que Alá ilumine teus passos para que compreendas a lição: A caridade não é dar o que falta, mas repartir o que transborda no coração.
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