sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

VERSOS ATÔMICOS


 

em memória de ariano suassuna, carlos drummond, t.s. eliot, manuel bandeira e meu avô Joaquim de Ataide! com amor, gratidão e saudade!




NOTURNO
Eu sou a morte,
a devoradora dos mundos.
Sou também a natureza,
esse manto silencioso
de lágrimas e tristezas
bordados por minhas mãos
invisíveis mas vistas pelos
telescópios astronômicos.
Sou o dia, essa fadiga de
trabalho para o homem comum
que bebe sua cerveja
espumosa tentando me esquecer.
Eu sou a noite,
a devoradora dos sonhos que
eu mesmo gero pra me entreter.
Alguns me chama de vida,
outros, os mais tolos de todos,
me chamam de vontade.
Mas eu me transformei na
morte, a destruidora dos mundos.



SONHO
As mariposas dos marinheiros
sonham com as flores dos dias.
Três luas amarelas no mar
rodopiam a cabeça marinha
e os moluscos selvagens
fazem poemas com as alguinhas.
Quando o gemido dela me chegou
eu segurava uma grossa cruz
de madeira e de ferro na porta
sagrada do seu corpo branco.
Ela era o mel doce e verde,
essa outra, o mel dos índios,
e aquela outra, o mel da noite.
Para mim tudo era nada.
Nunca suspeitei de seus peitos
murchos, mas salientes.
Suportei com dignidade a
dureza dos teus biquinhos lindos.
O capim rosa chá de teus peitos
me hipnotizaram de morte.
Havia camas, lunetas, baldes
de cerveja por todos os cantos.
Meu sonho era ter a sombra.
Deus me despertou pois virei
uma pequena laranja podre no chão.
Rasguei meu coração, e mãos
sagradas costuraram a minha alma.
Ressuscitei nu. Era tudo um sonho.


NOITE
Os pássaros do dia voavam
pelas camas imensas das estrelas.
Uma canção assíria soava
pelo espaço tempo dos planetas.
Mas aquelas duas montanhas
abertas era um coração.
Era também uma selva,
um destino, uma leoa e um
hipopótamo clandestino na cama.
Que fruta saborosa era essa
que fluía da carne do pêssego
até os meus lábios judaicos se
não o amor noturno de zeus em
cima da donzela loira transformado
em branco pássaro reluzente!



DIA
O coração é uma tumba que
chora versos pelos cantos.
Uma fada coroada de serpentes
leva os cavalos dos rios ao
fluxo das sementes das águas puras.
Ela não tem nome nem lembrança.
E todos os mortos do livro
da vida ou riem ou choram.
Lá fora o sol queima nossa pele
de kibutz pelos quatro cantos.
E o anjo da morte toca uma
flauta melódica em cima de
um caranguejo morto.
A menina dos sonhos era
uma pequena sereia esguia.
Cabelos loiros, olhos de serpente
verdes, estrelada por um cu 
feito de ferro e metal e auroras.
Toda a andaluzia estava na 
tua boca brasileira e na minha
todas as doze tribos de jacób.


A BEBIDA
Traz o vinho que eu trarei
o doce aroma do meu corpo
de cerveja para teu corpinho
moreno de puta entre as relvas.
É tudo canção, aroma de delírio
com o café abstrato da paixão.
O amor dorme dentro de uma
mola elétrica de ratos e coelhos.
Roe meu coração a ratazana
do teu cuzinho gostoso e virgem.
Tua flatulência é o mel do 
meu nariz, mas o perfume da
sua xana é a alegria dos meus olhos.
Deixa que eu beba sem cansar.
Deixa. Porque te amo!


SEU CORPO
Eu poderia passar horas e horas
descrevendo o pequeno e belo
corpo dourado que tens de foca
banheiro leão marinho e estrelas.
Seu corpo é o fogo que queima
a minha carne sensual ferida por
essa faca dentro do coração que
bate com sangue e pedra.
Ah touro alado que me gera o
doce leite dos cubos mágicos.
Qual teu nome para que eu o
chame na escuridão dos dias,
e tu apareças para me salvar
e degolar meus inimigos e eu
mesmo com a espada indiana
feita não de ferro nem prata mas
sim feita de espírito e vida.
E gemes teu corpo. Tu me chamas?
Quem é esse que pulsa dentro
de mim mesmo morto?
Pode ser teu corpo, esse morcego
tenebroso que me persegue
enquanto grito socorro.
Mas tu persegues para me salvar.
Não restou nada dentro de mim.
As flechas me deixaram ser
um com o tronco da árvore morta.
Morremos, eu e ela.
E a culpa, ó centauros,
foi o teu corpo, apenas
o seu corpo é o culpado.


CONSEQUÊNCIAS 
Nas alamedas, nas ruas,
nos becos, campos, casas,
nas sombras das cidades
vazias e imensas, iluminadas
pela tristeza e pela sórdida
sujeira ancestral, sim, eu
fui gritando seu nome sem
escutar nenhum eco.
Abba, agora vou para casa,
meditar com as estrelas.
Terra, quieta de duvidas,
terra de sombras, eterna,
essa terra da qual fomos
feitos seres pensantes,
abba, terra, essa da qual
viemos e voltaremos.
O corpo que eu chamava
era a terra daquele corpo.
O corpo misterioso e moreno,
o corpo que só ela tinha.
As flechas acertaram 
meus dias, e meus olhos
magoados viram querubins
feitos de petróleos dormindo
em seus cabelinhos de anja.
Chamei seu nome nas alamedas,
nas ruas, nos becos, campos, casas.
Ai, de mim,
três vezes ai de mim.
Ela se foi. E mortos não respondem
cartas de amor...


MENSAGEM
Meu rosto no espelho
vê o teu rosto dentro do
meu coração de vidro.
Seus olhos negros de
azeitona açoitam meus
pensamentos judaicos.
Mas te amo. Ainda que
não entendas esse amor.
Te amo, igual o mar 
que violentamente beija 
com fúria de espumas
as pedras e a areia da praia.
Ali está você, como diria
Maiakovski o eterno,
parada e jazendo na
foto sobre a mesa do
meu computador. 
E se essas coisas te
doeram e te doem, sabei
primeiramente que antes
do sol o Eterno Senhor
já me havia feito poeta.
Por isso minhas ações 
são dignas de pena,
não de açoites.
Mas você está ali
no espelho da minha vida.
Mesmo que eu o quebre,
tornarás a ser quadro cubista.


OS ESPELHOS MARINHOS
Essa dor serena e aguda
que carrega luas e girassóis imensos
é a própria imensidão
dessas coisas que estão
me vendo:
os espelhos marinhos engendram
alguma noite antiga digna
de sherazade, uma oculta
rosa que os sonhos profundos
não pode decifrar, mas que está
morta e afundada bem fundo
nas profundezas salgadas do mar.
Os espelhos refletem meus
olhos vermelhos.
Olhos que choram almas.
Olhos que não enxergam.
Olhos cegos e leprosos,
olhos amargurados por viver
uma vida sem sentido, amargurada.
O punhal entra fundo.
Seu sorriso é manteiga derretida.
O mel doce estragou o paladar.
No céu eterno berram
os touros pisoteando os espelhos.
Minha face sangra por isso mesmo. 
E o mar contabiliza
com precisão todos os
 seus mortos.

O TOURO
As ervas verdes crescem
rápidas, assim o amor
também cresce, san santiago 
de compostela, todo
cheio de feridas e cicatrizes.
Mas o touro ergue
seus dois chifres iguais
eternas lombrigas de prazer.
Seus cornos na tourada
sangram o vermelho
das virgens quando não
choram suas lágrimas de sereias.
O touro ergue sua bolsa
cheia de moedas judaicas.
Ah, minotauro, cruel e perverso,
olha a laranja apodrecida na
mesa, ou a maçã vermelha
por fora que por dentro
apodrece igual infecção.
Essas coisas serão o 
teu amor, ó touro, 
mouro de virtudes incontáveis.
Quem sabe ainda pintes
minha silhueta em vermelho
na imensidão cubista das
matemáticas infinitas!


COMPOSIÇÃO NUCLEAR
Vai segue seu ritmo de touradas caminha na velha gruta seca dos amores sacode os seus cabelos morenos não mais pra mim óh ouro esplêndido faca manto azulado bordado para a santa e para a menina virginal que dentro dos muros sonha com a outrora felicidade dos andaluzes mais deixa o galo continuar cantando não atire fogo nos moradores de rua não roube as maçãs do cego nem seja tão rude com a árvore sem fruto : olhar bem o teu sangue de terra que afunda paraísos Eu jamais diria que és anja ou planeta explodido.



PURIM
você mesma que observa o vazio da janela tem as pernas negras porque tua pele preta de africana brasileira é a perfeição que faz minha alma soltar fogos brancos pela cabeça do meu cacetete.

você passará de fogo madeira cachorro no meio da rua praça vestida travesti perfeita escondida no meio de tua cama chupei teu belo pau preto e não me arrependo de te amar lua negra porque a escuridão da tua pele é a luz que me mostra o

mapa celestial das coisas lá longe o mar que não tem casas só afogados e tu me deixastes chupar teu belo culo buraco negro digno de exploração estrelas cadentes fogo 
uivo

meretriz que encharca a buceta de
mel dourados apetrechos que as
vozes do pavão não ouve mas
lá longe existe alguém triste
e um campo cheio de milhos.


CANÇÃO NUCLEAR
As cinzas que sobem até
o céu é uma névoa densa 
e quente, e enquanto ela
grita fogo desce entre o
relincho do cavalo abatido,
já morto, e o touro bruto
enlouquecido pela dor das
espadas de são sebastião
em seu coração sem chifres:
o que cai é uma bomba.
Mas, silêncio, silêncio 
e absoluta precisão: 
ela já explodiu. Não restou
nada, apenas nós, mortos.
Somos fantasmas de
carne e osso, desfigurados.
Ela está ali na frente,
ainda posso recordar seus
cabelos loiros, seu perfume,
sua boca de cor de açaí
sem nenhuma doçura, claro.
Ela está ali, morta, tronco,
tronco, folhas e raízes. E nos
seus braços brancos (giz,
osso, gemido ou ferida)
uma criança morta, sem olhos,
judia ou cigana, estende sua
voz de mulher para as meninas
que carregam uma cruz de ouro
nos ombros cheios de esquecimento.

O perfume dela abraça nossas
narinas, mas o cavalo relincha
seu gozo branco e bruto farto
na boca da atriz porno enquanto
os homens brigam pela menina
existe uma faca no coração
e o mundo perverso segue rindo
enquanto o deus silencioso
e quieto rege sua adoração eterna.
A chuva cai e a lâmpada sobre
o teto na casa emite uma sombra
larga de gemidos pelo oceano.

A lâmpada quem sabe,
talvez seja apenas o sol
amarelado pelos caminhos
do azul, do pálido céu cheio
de nuvens, mas o canto
do galo, o beijo da morena,
a cama, as roupas sujas,
o cheiro fedido das coisas,
e o mistério de ter vivido
essa vida (BOOM BOOM BOOM)
sem sentido, amarga,
vida sem sentido, amarga,
ter vivivo (o que é viver
enquanto a bomba derrete
os meus pensamentos e
destrói o que sobrou do
guerreiro segurando a espada)
sem sentido
sem sentido
sem sentido
sem sentido.

A bomba estourou.
Adeus.


A TROPICAL PAIXÃO
Chegou como
quem nada queria
nem disse bom dia
mas beijou minha
boca com a bala
de hortelã do amor.
Ele moreno alto,
eu loira pequena,
ele trabalha na obra,
eu escrevo poema.
Meu Deus, eu tenho
que o ver e o amar.
Ele é mais belo que o mar.



VERSOS
para oppenheimer
Sim,
  o vento balança.
Em favor de quem?
Esse mundo humano
é tão desumano.
...misérias...
pessoas são a miséria
tosca
tola
da terra...
quanta miséria.
Esses risos de felicidade
no shopping center.
Pessoas que riem de
mais são estranhas.
Ou eu que sou infeliz?
Não sei a resposta.
Sou feliz com o pouco.
Deus meu, com o pouco!
Café com leite,
caneta, papel e tinta
para rabiscar poemas
plásticos até a demasiada
exaustão.
O sol levantou.
Brilha para todos.
E a sombra não é
apenas para poucos.
Fique gravada na rocha
essa observação.




O TESÃO
Touro feito de água dentro
da arena metálica das coisas.
Ainda há vida: pote de ouro,
pequenas pratas no meio
do tempo, chumbo em asa
de anjo feito de petróleo.
Marcha igual uma fonte.
Fonte enigmática, ventania,
encanto que fere, seca 
sertaneja que gera estrelas.
Telefone que pinga um
gozo de jorros brancos nas
verdes palmeira dos seios.
Lustre luminoso, bosque,
pequeno cachorro que
abana a cauda ao me ver.


MORTO DE AMOR
Foi o amor que
bateu essa cauda
de pavão no coração
mudo da sala?
Não, não foi o amor.
Foi apenas o vento,
e se foi, vagando
pela linda atmosfera
das noites escuras.
Queria ser sol,
ou lua, ou poente,
até mesmo aurora.
Morto, parado,
esperando os milagres
que nunca chegam.
Apenas o silêncio,
e o horrível passar
do tempo: essa ferida
no osso do peito
carrego já eu sozinho,
carrego ela há muito tempo.
A cerveja não tem a
beleza do mel do suco
de pêssego.
Queria teus lábios
em forma de beijo em
cima dessa bandeja.
Que grito sublime!
Que atmosfera delirante!
A cidade cheia de sujeira
nas calçadas saúda me
com as palmas que
deviam ser ou foram
das árvores do campo.
De metáforas bíblicas
entendo, mas não entendo
doutor freud nada de sonhos.
Aquilo ali é uma tumba?
Sua rola é gostosa, vou gozar.
Apenas sal e relâmpago.
Misérias tantas.
E o mundo, esse teatral globo
infantilóide e tolo,
governa demônios atormentadores
almas atormentadas sofredoras.
Foi o amor que entrou
a janela aberta pelos corredores?
Não, de jeito nenhum.
Foi, digamos assim,
apenas o frio
com seus tremores.


A TERRA DO SOL
Somos o povo do sol
e nossas peles são Escuras
nosso país é torrado
pelo sol, por isso somos
o cafezal sagrado plantado
por Deus nesse mundo
Veja só, temos as peles
escurecidas pela beleza
da Brasilidade Africana
Somos a terra do sol
ave incandescente que
brilha em cima das nuvens
Somos as pirâmides aborigines
somos os primitivos esplendidamente
civilizados por cristianismos
Mas jamais cultuamos o mamon
dos capitalistas nem nos
inclinamos para um pedaço de papel
Apenas somos acolhedores
da beleza pura e das canções
antigas dos antigos e novos
guetos da qual o nosso coração
Deveras Negro e Belo
pousa e adormece.
Somos o povo do sol
e essa terra queimada pela
alegria pela dor e pelo amor
É nossa! Avante!



NEGRITUDE
hoje eu acordei negro
negro
da cabeça aos pés
reluzente
igual principe angolano
belo afrodisíaco
com lanças no corpo
sangue africano
brasileiro de raízes
baianas e paraibanas
judeu etiope
negro e santo
hoje eu acordei negro
havia vinho nos beijos
e raízes nos sonhos
a mulata me amava
o mulato me beijava
e eu negro negrissimo
cheio de senegais
africas intensas e marítimas
acordei negro negro
da cabeça aos pés!
como foi bom acordar
negro!


SONHOS
Veja só é um sonho moreno
sonâmbulo cavalo galopante
percorrendo os mares 
estranhos que arranham
a garganta e a janela entreaberta.
Já disse tantas vezes
já disse mil vezes até
onde mergulhar o coração
essa lança terrível que deixa
a ferida da abelha molhada
nesse casulo colapsado
do tempo encurvado de
einstein! é é justo esquecer
teu nome dentro do frio
ou as injustiças celestiais
mas somos tu e eu apenas
vagalumes esquecidos
e desamparados desesperados
nesse planeta duro e rochoso.
Vulcões de seios brandos
beijos, beijos iguais falcões
e a porta aberta de um bazar arabe.
Só. E nada mais...


REPOUSO
No escuro nome da noite
na escura escuridão do teu
corpo fui teu igual um
poema triste e frio cheio
de mágoas azuladas.

Entendi que o destino era
essa seta estranha e aborrecível.
Gritei por alguns instantes
antes de escutar

atentamente o som
do cantar doce dos grilos
mas então tua boca igual
juba de leão me levou

das estrelas até planetas
brancos e plumas de 
pavões majestosos.

já não era meu corpo
se não a maçã a laranja
o abacate a uva a
jabuticaba a floresta

gritando versos de
amor que as flautas
indianas jamais 
entoariam sem a

ordem milagrosa dos
reis ou dos budas
reencarnados de outrora
etc... essas bobagens

orientais todas que admiro
mesmo sem acreditar.

Não é difícil descrever
no repouso dos teus beiços
a canção eterna do amor
que arde abrasado

e que se apaga
vela
fútil
assoprada
calmamente
pela alma

na rede.



ETERNIDADE AGONIZANTE
nenhuma
estrela que não
seja tua boca
nem um sol
que não seja
teus lábios
nenhum planeta
que não seja teus cabelos
não nenhuma vida até
se não for para te amar
eternamente.


ETERNIDADE SEM AGONIA
... sol...
essepequenopassar
das horas...
amanhã
uma
  c
  r
ta.
Só.



CANÇÃO SUBLIME DAS
CIDADES 
do egito até
a parayba
e da holanda velha
até a espanha antiga
em sevilha
depositando
o ouro conquistado
com fúria e ódio
a velha espanha
no corazón guardado
jerusalém no próximo ano
e adamantina aberta com
seus véus de cemitério silencioso
o ruído triste de são paulo
o maravilhoso frio de guarulhos
a estranheza bela de campinas
nisso tudo meu auto retrato
cubista
em cima da velha mesa antes
de ser quebrada
tudo
 i s
  s
 o
dá uma saudade no peito
que chega
a
  d
   o
er.



O AMOR QUE SE FOI
E MESMO ASSIM FICA
Minha amada
t
  em um feixe
moreno
na 
pe 
   l
      e
escuraebela.
O sorriso dela é peixeluzeazeite.
E
l
      a
não me responde mais
mas o 
c
    u
zinho dela estampou o céu
da
mi
nha
língua
NEGRA NEGRISSIMA 
BELA BELÍSSIMA
eu jamais te esqueceria.




A BONECA
de todos os poemas
que te fiz em cima da
me
    sa
nenhum é
m
   elhor e mais bonito
d
   o
que esse em que teu corpo
de uva estampou de
b
   ei
jos
boneca
eu até te
cha
      m
a
    ri
A.



MUITO ROMÂNTICO
vem de mim
esses beijos que
sonhou sonhos
sem
m
   i
ragem
ne
nhuma
     n
 ã
    o
deixe seu perfume
n
  a
mesa.

somosumsó
amor vivo
vivamor.



ANTIGAMENTE
antigamente quando
eu não era eu Eu juro
que fazia versos de amor
mesmo assim ninguÉm
os amou mais do que eu
mEsmo.
trisTeza
pois ela me deixou Só
sozinho
na cama na televisão na vida
ela que se foi era tão linda
outras veio outras chegou
partiu o treM no espaço
tempo curvado de einstein
mas eu fiquei parado
não me movi um centímetro
daquela mesa de granito
observando a chuva fria
do fim do ano a cair
pela janela da minha frente
janela dos meus olhos
infelizmente não há mais
chuva verde nem terra vermelha
mas ontem olhei um poste
de luz e vi um circulo e um
arco íris divino
sinal de DEUS no caminho
não é mesmo e poesia
pois 
     é
poesia
é 
i
  s
    s
       o.



NEGRITUDE 
teu rosto negro
é um totem silencioso
e mudo na prateleira
de ouro cheia de livros
máscara fetiche das
tribos
africanas.


AS COISAS 
as coisas pretas as coisas negras
o teu corpo de asfalto que
pisa a terra do meu corpo
delicadamente o café escuro
e quente em cima da mesa
as belas pedras dos teus olhos
teus seios negros rochosas
montanhas escuras que
contempla a beleza da alma
do espirito e do corpo um só
em teu beijo de gaivota escura.


BELEZA PRETA
!lembrar me do teu
belo corpo escuro
e suas belas coisas negras
pois as coisas pretas
são as mais belas e puras
tu
fonte da luz
viu
  moi
    sés
tua beleza que cativou
todas as doze tribos
mas a inveja teve lepra
branca na carne
já a tua é a neve negra
da beleza de todas africanas
que o sol delicado
pelas mãos do TodoPoderoso
fez questão de pintar!



DESPEDIDA FINAL
Te encontrei
sarça  branca
dentro da noite silenciosa
ali
   estavas
sem música
sem voz apenas
a morte
todas as coisas em ti
e para ti
esbranquiçada
dentro da memória do próprio tempo
luz e sombra de uma
pequena aquarela
dança suave e pura
púrpura eu até diria
sem dor sem prazer 
sem voz se melodia
apenas a tristeza e a angústia
estampada em seu sorriso
de rio e serpente.
Se foi.
   adeus...



TRIBAL
existe um fosso entre nós dois
um selvagem esplendidamente
civilizado nos observa com seus
olhos escuros de uma beleza sem par
negro
      negro
             negro
negro olhos a observar a lua
branca do corpo do meu corpo
e o teu belo corpo estendido
no espaço entre pirâmides e
   tendas arábicas
olhos
    de diamantes 
   negros
       negros
         negros
              negros
de uma beleza sem dúvida
africana
mas sua boca na minha
é um sonho muçulmano
mas sua boca na minha
é mel doce de abelha
açúcar puro que provo com
os meus beiços açucarados 
pelo prazer outonar de te
amar 
    de te
ter
pelos breves segundos que
somos livres
dessa prisão
chamada
   cor
po.



ELEGIA AFRICANA SURREALISTA AFRICANA
venero teu corpo
de certo todas as tuas raízes de
planta tua calculada
corporalidade espiritual
o ritmo de tuas nádegas
as piscadas de teu cu
a subida de teus vestidos
tuas nádegas avantajadas
piscando o cuzinho para os
oceanos para os olhos
judaicos cansados de 
vida e tristeza de invernos

sem ti não há existir
sem ti não há sono 
nem beleza nem nomes
sem ti não há ti
nem coração nem dança
e o amor é apenas um
suspiro que se perde
mas nossos braços
são algas ostras sagradas
somos a imagem do divino
e teus beijos nos meus beijos
ardem de fogo a negreza
do nosso corpo beduíno
entrelaçados nesse
cafezal branco escuro
de rochas liquens formosas
vestes seios duros e excitados
máscaras que possuem o
poder de nos revelar o
oculto de uma canção
amorosa melodiosa
que vem do coração
apenas de
lã cobertor de
lã ou cabras negras.



BALADA PERDIDA DO SENEGAL
Seghor me ouviria com
atenção de catolico muçulmano
e de certo me envolveria com
seu cantar negro tão africano

porque brasil y áfrica são o
espelho de uma mesma terra
são um só mapa denso de 
separações de águas ocasionais

de certo é um Samba que
cesária évora em voz morna
faria soar por dakar em ritmo
lento doce e perfumado

ali preencheria senegal com
um polvo de lírico abraço
e portentosa física nuclear
de amizades beijos e fraternidade.



MENSAGEM BRASILEIRA AFRICANA
as coisas que existem
existem e falam com vozes
internas e beduínas
quem me ensinou tal
aqui no brasil africano
foi mia couto lá em portugal
e espantado pus a te ver
igual índio vendo don saramago
e registrando nos ditos contos
cartas
te nigerias moçambiques angolas
dando a ver o tal brasil e tal
america do sul de fala espanhola



A ESTÁTUA DA BAHIA
ouro de porcelana
bronze fundido no barro
máscara onde o divino
se revela em danças
no denso e curvo espaço

ela tem a xaninha de
aço raspadinha e as
belas tetinhas pontiagudas
são lanças de guerra
nua nua nua nua

que infinito!
as belas nádegas imensas
inchadas de oceanos
do prazer e da beleza

(esse negro e essa negra)

quero respirar essas
pinturas cubistas 
esses poemas berrados
em estilo surrealista

sejamos simples
e amorosos mas sem
deixarmos a selvageria
do amor nas sarjetas

belo luar amanhece
ela: poesia
ele: poema!



VERSOS ATÔMICOS
não gosto da vida
e também não gosto da morte
  que grande enigma
foice    cruz anzol sorte.
lá longe o sol laranja
também finito morre
e a luz dos cogumelos
é sinal da atómica morte.
cemitérios.  e pessoas gritam
e os ossos    ressuscitam
em algum sonho exótico
um deus silvestre e moribundo
mostra uma maçã a
pequena menina de cabelos
loiros e a serpente gela
suas    asas de ferro e foice.

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