Nicolás Guillén, em sua Cuba natal,
sonhou o mundo ideal —
feito de açúcar, sal e suor,
feito de povo e coral.
O mar batia como tambor,
e o vento levava um canto igual:
“somos os mesmos sob o sol,
negro, branco, irmão universal.”
O poeta dançava com o verbo,
na praça, no cais, no quintal.
Sua rima, faca e carícia,
fazia justiça tropical.
Nicolás Guillén, filho da cor,
fez da dor um festival.
Transformou lágrima em canto,
e o canto em pão social.
Quem o lê, ouve tambores,
vê crianças correndo no quintal.
Quem o lê, sente o povo inteiro,
num abraço fraternal.
Nicolás Guillén, irmão do sol,
fez da palavra um ritual.
E no ritmo da esperança,
ainda dança o seu ideal.

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