...escrevo de longe... para não te ferir de perto...
frase de um poeta latino, infelizmente esquecido!
Não falo de ruas, nem de casas,
mas de um nome que parece anterior às coisas:
Adamantina.
Como se tivesse sido inscrito
num livro secreto da Criação,
ao lado das palavras diamante, eternidade e destino.
Toda cidade é um labirinto de homens,
mas Adamantina é também um espelho.
Nele se refletem os gestos dos que vieram
e dos que virão,
como se cada praça fosse uma cifra,
cada esquina, um enigma do tempo.
Não sei se é uma cidade ou um mito.
Talvez ambas as coisas.
Porque há lugares que não pertencem só ao espaço,
mas também à linguagem.
E Adamantina é uma dessas palavras
que sobrevivem mesmo quando os mapas mudam.
Penso que em seus campos repousa um segredo:
o segredo de permanecer.
Entre os grãos de café,
no silêncio de suas colinas,
há uma paciência mineral,
uma promessa de futuro que não se apaga.
Quem caminha por suas ruas
não anda apenas no presente.
Sente que pisa também no passado
e que, de algum modo, avança no porvir.
Porque a cidade não é apenas habitada:
ela habita em nós.
E se a eternidade fosse uma cidade,
se tivesse muros, árvores, nomes e crianças,
se tivesse praças e relógios de sol,
talvez se chamasse, inevitavelmente,
Adamantina.
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