O Menino Assimetrildo
Havia um garoto chamado Assimetrildo,
Que achava o espelho um objeto inútil.
— “Muito igual, muito reto, muito sem graça!
Prefiro o que entorta, o que gira e ameaça.”
Curtia maçãs com metade comida,
Roupas torcidas, linhas sem medida.
Desenhava rostos com olhos no pé,
E nariz no joelho, e dentes na fé.
Enquanto os outros gostavam de pares,
Ele contava os dedos em números ímpares.
“Tudo igual me dá um sufoco!
Quero um mundo torto, um mundo louco!”
E um dia, sem aviso, pegou o martelo,
Subiu no telhado de terno amarelo,
Olhou pro horizonte com leve emoção,
E entortou a cabeça com firme intenção.
Virou cubo, virou canto, virou espiral,
Seus olhos ficaram em forma de canal.
E quando desceu com a mente quebrada,
A arte moderna lhe abriu a estrada.
Chamaram-lhe “gênio”, “estranho”, “divino”,
— “Parece um Picasso com toque de menino!”
E Assimetrildo, sem culpa ou pudor,
Virou instalação no salão do terror.
Hoje ele sorri de um ângulo agudo,
Com uma orelha no cotovelo peludo.
E diz aos visitantes, entre piscadelas:
— “A beleza perfeita me dá borboletas.”
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