quarta-feira, 4 de junho de 2025

A Menina e a Sombra

 A Menina e a Sombra

A menina vivia num canto fechado,
vestida de preto, sem tom nem verão.
Detestava o riso, detestava o prado,
sonhava ser sombra, fumaça, carvão.

Nas festas passava com passo calado,
fugia de flores, fugia do chão.
"Se eu fosse só névoa, ou véu encantado,
ninguém me veria com tanto sermão."

Dormia com luas presas no cabelo,
e um gato de bruma roía o bordado.
Seu riso era gelo, seu toque, novelo
de vento que assombra um bosque assombrado.

Um dia sumiu — sem carta ou adeus.
Virou a penumbra entre postes e céus.

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