Num bosque de névoa, onde o tempo se esconde,
Andava uma menina de passos sem nome.
Seus olhos brilhavam com medo e esperança,
Trazendo no peito a luz da criança.
Das raízes retorcidas, surgiu então um som:
Um farfalhar de folhas, um toque de bom tom.
Com chifres e olhos de sombra e luar,
Um Fauno a chamou sem precisar falar.
"Menina perdida, de sangue esquecido,
Há um mal neste mundo que cresce escondido.
Morgrin, o Feiticeiro, devora a verdade,
E só tua magia trará liberdade."
Ela riu, assustada, “Mas eu sou só menina!”
O Fauno sorriu com tristeza fina:
“És filha de um rei que o mundo esqueceu,
Tua alma é chama que não se perdeu.”
Então no espelho da noite e da dor,
Ela viu seu reflexo em feitiço e fulgor.
Com palavras antigas e gestos de vento,
Fez de sua infância o maior encantamento.
Morgrin caiu como folha no chão,
E o mundo cantou em suave oração.
Mas a menina não quis coroa nem trono,
Apenas chá quente, histórias e outono.
E o Fauno, cansado, num banco de pedra,
Disse olhando o céu em voz quase etérea:
“O mundo é grande, menina encantada…
E triste também. Mas vale a jornada.”

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