A Balada de Pluenyn, o Escarlate
Em tempos de ferro, trovão e brasas,
Quando os reis forjavam com sangue as casas,
Ergueu-se um fogo nos montes do norte:
Pluenyn, o rubro, a ruína e a morte.
Com asas de sombra e escamas de brasa,
Rasgava os céus como lâmina rasa.
Dos picos antigos onde os ventos choram,
Desceu rugindo, enquanto os deuses dormem.
Cobiçava ouro, prata e joias
— De anões enterradas, de homens em trovas —
Tesouros de reinos partidos por guerra,
Guardados por ossos de reis sob a terra.
Com olhos de âmbar, velhos de eras,
Viu nas moedas as almas que esperas;
E riu, riu — um trovão profano —
Enquanto queimava o mundo humano.
As muralhas caíram, o aço se partiu,
O grito dos justos em chamas sumiu.
E Pluenyn pousou sobre o que tomou,
Como um deus do abismo que tudo calou.
Dormia, então, nos salões ardentes,
Sobre coroas, colares, dentes,
Pois ouro é o leito dos que não têm alma,
E fogo, o canto de sua calma.
Mas dizem os bardos em noites sem lua:
“Haverá um herdeiro de lança e de rúa,
Com pedra dos céus e aço da aurora,
Que quebrará o sono do dragão, na hora.”
Até lá jaz, o verme escarlate,
Em cavernas fundas, de brilho late,
Sonhando com reis que caíram sem glória,
Enquanto o mundo esquece a história.
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