O relógio
Meu relógio é um relógio antigo, de ouro, desbotado
simples como um escorpião debaixo da folha,
os ponteiros picam, picadas mortais, são as horas
sendo mostradas, e derivam daí seus números arábicos.
Eu poderia ter comprado um, quando fui fazer uma viagem no litoral, que contivesse números romanos.
Mas achei que esse império estava muito ultrapassado
e meu gosto pessoal me faz ver com bons olhos os babilônicos.
Meu relógio é um relógio decente, o jordaniano que me vendeu ele, estava no peitoral da janela, o ex-dono do objeto, povoando minha imaginação com comentários de vendedor:
esse relógio, foi feito por duendes antigos
antes de virarem anões, cascatas e musgos.
Gostei disso.
Quando a tarde do sol se encolheu dentro do meu peito, meditou um amigo meu, judeu do nariz ao peito: a inteligencia quer o poder, o poder atrai o dinheiro, onde há poder há inteligencia, onde há inteligencia há poder, onde há poder há dinheiro e onde há dinheiro há judeus.
Pensei que fosse um ponto de vista óbvio
visto que nós dois tivéssemos comprado
um relógio barato.
E quando deu meia-noite o relógio
me acordou para a oração matinal.
Ai, meu Deus, ainda estamos no

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