domingo, 8 de julho de 2018

O relógio

O relógio

   Meu relógio é um relógio antigo, de ouro, desbotado
simples como um escorpião debaixo da folha, 
    os ponteiros picam, picadas mortais, são as horas
sendo mostradas, e derivam daí seus números arábicos.

  Eu poderia ter comprado um, quando fui fazer uma viagem no litoral, que contivesse números romanos.
Mas achei que esse império estava muito ultrapassado
e meu gosto pessoal me faz ver com bons olhos os babilônicos.

Meu relógio é um relógio decente, o jordaniano que me vendeu ele, estava no peitoral da        janela, o ex-dono do objeto, povoando minha imaginação com comentários de vendedor:
esse relógio, foi feito por duendes antigos
antes de virarem anões, cascatas e musgos.

Gostei disso.

Quando a tarde do sol se encolheu dentro do meu peito, meditou um amigo meu, judeu do nariz    ao peito: a inteligencia quer o poder, o poder atrai o dinheiro, onde há poder há inteligencia, onde há inteligencia há poder, onde há poder há dinheiro e onde há dinheiro há judeus.

Pensei que fosse um ponto de vista óbvio
  visto que nós dois tivéssemos comprado
um relógio barato.

E quando deu meia-noite o relógio
     me acordou para a oração matinal.
Ai, meu Deus, ainda estamos no
                litoral. 


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