terça-feira, 10 de julho de 2018

غابرييل دي ليمو ، الساميتي (تاريخ عائلتي)

Gabriel de Limão, o semítico (minha história de família)
Gabriel de Limón, el semítico (mi historia de familia)
غابرييل دي ليمو ، الساميتي (تاريخ عائلتي)
ghabriyil di lymw , alsaamiatii (tarikh eayilat 


Sempre tive um orgulho profundo dos meus ancestrais, e não vou negar isso apenas para não parecer pretensioso, ou soberbo. Gosto de escrever, e quando escrevo, sou como essas gralhas que fazem barulho, ou como os homens que bebem cervejam e falam, gargalhando juntos ao mesmo tempo (sem se escutarem, porém, eu me ouço).

 Começamos pelo lado paterno. Tenho sangue negro, e me orgulho por demais por ter traços que vieram desse povo, desses homens, dessa espécie, dessa raça. Quando digo raça, quero na verdade dizer cultura. Meus ancestrais mais longínquos, até onde os meus estudos puderam ir, foram de fatos etíopes. 
Vieram da Etiópia, e devo confessar que assim como desconheço qualquer coisa que venha do Extremo Oriente, assim sou eu em matéria sobre a Etiópia. Sei que em dias bíblicos, nos tempos proféticos se não me engano, esse país foi um grande império. A Etiópia está em cravejada na África, do outro lado, do lado oriental. Também sei, que pelo lado materno de meu pai, escorre sangue de Moçambicanos, o que é uma vantagem, pois sei que duas culturas africanas unidas são fortes e podem ser moldadas com uma vantagem cultural inabalável.  Sei que  a Etiópia é a segunda nação mais populosa do continente africano, e faz fronteira com países como Sudão.

 Não sei como meus ancestrais vieram para cá, se como escravos, ou se como traficantes de escravos, porém isso é uma coisa que eu ainda ando estudando, e com o tempo irei fazer descobertas.

Pelo lado materno tenho sangue judaico. O meu nariz não é aduncado, mais é grande, e faz parte do puro nariz da raça judaica, do povo semítico do oriente médio. Meus ancestrais não devem ter sido judeus puros, porque pelo o que me chegou de lendas e relatos na família, foi uma coisa supersticiosa, o que nos levou até o cristianismo, e meu avô se converteu ao pentecostalismo, criando até mesmo um provérbio (se não podemos com ele, juntemo-nos com eles). 
Sempre gostei do fausto, e de pedrarias brilhantes, de me vestir bem, de agir com pompa. É uma coisa própria, não contém arrogância em nada disso, tanto que digo, que prefiro um pedaço de pão a ficar amontoando dinheiro ou ouro. Mas vivemos em uma sociedade tão desgraçada, que se você não tiver o primeiro ou o último, não irá nem sequer comer as migalhas que possam sair do pão. Nunca gostei de ricas galas, diferentes dos meus irmãos. Até certo ponto, porque um é um militar. Graças a D'us.

 A história é a que me chegou através dos ouvidos, pode ser ou não verdadeira, depende de quem a ouve, como eu bem sei, os orientais levantinos são muito bons em histórias: um ancestral meu veio preso para a terra dos babilônicos e forçado, como todos, a praticar a usura como um método de sobrevivência naqueles desertos selvagens. Vovô disse que seus ancestrais cuidavam de gado, como Abraão. Vovó dizia que isso não era verdade. Que meus primeiros parentes vieram da Palestina da nobreza israelita. Posso ter minhas dúvidas, mais é uma coisa genial a briga desses dois velhinhos na minha frente. Vovó não se adornava com colares, foi uma mulher muito boa, sofrida, cheia de fé. Voltemos ao assunto, antes que eu perca o raciocínio: 

 ...da Babilônia, foram expulsos, e condenados a vagar para outro lugar, longe dali. Palavras de meu avô "sairam com tanta riqueza, que poderiam ter construído um novo templo de Salomão". E foi o que fizeram. Só que meu avô disse que eles não participaram da empreitada. Teve os que voltaram a Palestina, que voltou a ser chamada de Terra da Judeia, e quando o Império Romano tomou posse daquela região com violência, saques e guerras, a família de meus avôs maternos estavam indo para a Rússia, e meus avôs paternos para o que chamamos hoje em dia de Turquia. 

 Parece que o frio russo não conseguiu agradar meus parentes, e eles também foram para Turquia. Por isso gosto muito de dizer que sou um turco, embora meu nariz esteja mais próximo aos jordanianos ou aos italianos, do que a estes. Tanto faz. 

Ali na Turquia, não sei, se Império Otomano, ou não, meus antepassados viviam em palácios faustuosos, em ricas galas desbotadas, palácios cravejados de ouro, se não me engano, vovô me passou a impressão que ali existia uma sinagoga, onde levavam seus livros para orar.

 Lembrando que esses relatos foram passados para mim em forma oral. E fui registrando na memória, e não tenho muito memória boa. Queria saber os nomes desses ancestrais, mais nem meu avô nem minha avó puderam contabilizar isso para mim. Só fui ouvindo nomes como Sara, Salomão, Benyamin, etc...

 Ali na Turquia, conseguiram amontoar ouro e dinheiro com muita naturalidade, guiados pelo nariz de falcão que nós possuímos (eu herdei de minha mamãe, e mamãe herdou de meu avô e meu avô herdou de meu bisavô).

 Foi ali que meus ancestrais começaram a padecer do inferno (talvez meus ancestrais negros também padeceram, mais nunca me passaram nada, porque parecem distantes de qualquer lembrança , o que os judeus não fazem é esquecer). A riqueza, disse meu avô, irritou os turcos, e a ostentação dos israelitas daquela riqueza enfureceu-os de furor.


Eu herdei a legenda do israelita magro, esguio, encurvado, adunco, e tenho cachos debaixo da orelha. Talvez meus ancestrais tivessem isso, por isso o ódio, porque se cobriam de jóias e de luxo, e tudo isso devia irritar, pelo menos os menos possuídos da região. Herdei um pouco essa pompa espetaculosa. 

Sempre gostei de gargalhar alto, falar alto, sempre fui sóbrio e educado, e meu avô atestou, que meus ancestrais assim eram, com pálpebras caídas, que herdei, tristes e desconfiadas.

Resultado: sairão da Turquia. Saíram não. Foram expulsados. 

Com os olhos ancestrais de oriente médio, olharam com prazer para uma região que começava a se expandir e a crescer. Uma tal de al-Andaluz.  Naquele tempo, os muçulmanos invadiam regiões, anexavam territórios, conquistavam muito. Era a guerra entre o Sagrado Islão e o Sagrado Cristianismo. 

E segundo meu avô, nós somos árabes, pela convivência, porque eles nos abriram as portas e nos ensinaram muito. Não são nossos primos, e sim, irmãos, pelo sangue de Abraão. O que pouco me importa, já que amamos ao mesmo Deus, que é o pai de todos os homens da terra.

Meu avô, esse israelita, ainda grita com a televisão: a terra dos palestinos é dos palestinos, Israel já tem muito território. Pra que mais? 

Voltemos ao assunto.

 Saindo da costa sul da Turquia, de uma cidade chamada Antalya, segundo vovó, seguiram de veleiro, com navios, por toda a costa Africana, com paragens certas, em lugares econômicos, como Alexandria, no Egito;Tripolli, na LíbiaArgel, na Argelia, onde o nome da família foi firmado, segundo vovô, para  Argelin, uma homenagem aos argelinos que os receberam bem. 

Depois, foram para o Marrocos, onde comerciaram em uma cidade chamada Benslimane.

  Ali trocaram de nome e viraram Bensliman, e foi ali que de comerciantes foram obrigados a ganhar dinheiro com agricultura, trabalhando com azinheiras, tuias, ciprestes. 

Foram expulsos, segundo vovó porque trabalhavam bem, e foram para o que estava se tornando a chamada Espanha, antes da expulsão. 

Não ficaram muito tempo na Andaluzia, mais segundo meu avô, conheceram Sevilha, uma cidade judaica, sim, porém cheia de fanáticos católicos, histéricos, pobres e maldosos. Foram para Portugal, e mudaram de nome. 

Benslimane, Bensliman, Liman se tornou Limão.

 Foram para o sul, parece que meus ancestrais tem uma ligação muito estranha com o sul (digo dos ancestrais maternos). Por isso, creio que descendem ou da tribo de Simeão ou da tribo de Judá, embora sejamos mais levíticos, porque cantamos com voz solta.
Foram para o sul, para o Algarve, onde ficaram entre Faro e Tavira. Como andarilhos, igual a lenda dos judeus errantes. 

Eram agricultores e mercadores. Mesmo assim, se distanciaram da comunidade judaica por causa das muitas perseguições. Não suportaram o país, não suportaram aqueles católicos mentirosos e invejosos, e junto com uma leva de judeus holandeses vieram para Pernambuco, no Recife.

Ainda estava com dinheiro, e com toda certeza, conseguiram muitas terras no tempo dos holandeses ali. 

 Portugal reconquistou a região, e meus ancestrais mais uma vez pularam fora do lugar. Não para o norte, então não eram unidos com a comunidade. Foram primeiro para a Bahia, onde depois, a igreja católica roubou-lhe todos os bens e terras, por serem considerados judeus.

 Pularam para a Paraíba, pobres, sem lembrança, e se não me engano, meu avô nasceu na Bahia, em uma cidade insignificante, ou não, não me lembro bem, mas minha avó nasceu na Paraíba, em uma cidade chamada Pombal.
 Desceram para o sul, para a província de São Paulo, pobres, porém, trabalhando como doidos. Meu avô conseguiu um pedaço de terra, gerou muitos filhos, como manda a tradição, ensinou o respeito e o amor ao próximo, recitou alguns provérbios, foi visitado por um pastor evangélico protestante. As coisas começaram a mudar. 

Todo mundo sabe que o mundo judeu se conserva isolado, compacto, inacessível.  O orgulho da língua, o orgulho do ouro, o desprezo pelo que não é cultura, é muito grande no sangue semítico.

Meus avós perderam todo o contato com a comunidade, mas a religião estava no sangue.
 Meu avô se converteu e se tornou um Pentecostal, a família inteira aceitou Jesus Cristo, porque era judeu, e era o Messias prometido. 

Ainda conservo o orgulho dos meus ancestrais, e acredito como disse Benjamin Disraeli, que o Novo Testamento é o osso que faltava para completar a fratura do Antigo. 

As promessas de Deus sobre minha casa e família sempre se realizaram. Sempre tive pra emprestar, com sofrimentos, mas sempre tive. Trabalhei em vários trabalhos, nenhum que me encaixasse: super-mercado, pedreiro, jornalista, artista plástico, escritor, cobrador, pintor, atendente, criador de logo tipos, etc...

Fui chamado de "judeu-maldito", pelo maldito dono da gráfica, um ridículo e maldoso espírita, que consuma-se no inferno, ele sua casa e família, miserável. Porém, ainda me alegro com a história dos meus ancestrais. Irei fazer pesquisas para saber a história dos meus ancestrais negros. O sangue negro e judaico é o que me torna reluzente no meio de um povo sem unidade e sem humanismo no coração.

Basta ver com claridade que é provado que tenho sangue negro, e judeu, por causa da estrutura dos meus olhos redondos, fechados, castanhados. Tenho uma barba curta e pouco espessa, e uma voz grave e rouca.

Espero que gostem desse texto. Foi o que aprendi. Acredito que seja verdadeiro, ou meu avô simplesmente (com minha avó), fizeram questão de me agradar com uma história digna da mil e uma noite.

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