quarta-feira, 2 de setembro de 2015

(O golpe de uma rocha )


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Nesse silencio sem abismos
encrustado em um mar imaginário
imagino ondas e beijos, sorrisos
espalhados no panfleto não publicado.

Compondo em pequeno ritmo
uma canção que não pode ser
cantada por vozes mudas, mais
sentida apenas com os olhos
coloridos e radiantes de uma
nuvem de tempestade profunda.
Nada que não possa ser sentido
pelo coração me toca... Essa dor
angustiante de querer algo que
não chega como as asas de um
pelicano a tombar no meio do azulado
espaço.
Suspenso nesse silêncio
pequenos rostos cintilam na miragem
do cosmo acima: são estrelas

vermelhas, azuladas, amarelas.
Todas esquecidas e lembradas,
todas perdidas, todas aparecendo
em uma dança, em um giro próprio
no consumir-se da própria existência.
Menos filosofia, menos do que nada,
vou compondo pequenos sóis
que se apagam de repente, sem barulho,
sem ecos de um grito largo e amargoso,
de silhuetas brancas e negras a avistarem
o vulcão das palavras se expandindo.
Ah, é esse o único modo de sentir,
de viver, de estar pleno da consciência...
Se lambuzar de pequenas gotas salgadas
e puras do mel mais puro, do açúcar da espuma
que se lança para fora como um inconsciente
indomável de rimas, canções e pequenas estrofes
bárbaras e antigas...
(foto: ilustrativa)

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