Lá na Cidade-do-Pé-no-Chão, morava o menino Palito,
O ser mais magro do mundo, magro até o infinito!
Era tão fino que parecia desenhado com pressa,
Mas por dentro, oh boy, que bagunça! Que peça!
O Palito odiava o Natal, odiava de verdade!
O cheiro de peru assado? Pra ele, só crueldade.
As luzes piscando? "Um pisca-pisca imbecil!"
Os presentes embrulhados? "Papel no lixo, um canil!"
"Eles cantam!" ele rosnava, sua voz uma farpa.
"Eles cantam tanto que minha cabeça se harpa!
Comer e cantar e rir e presentear,
Isso tudo tem um fim: eu vou os amolar!"
Então, na véspera de Natal, com um plano nefasto,
Palito escorregou pela chaminé como um rastro.
(Fácil pra ele, que cabia num canudo, o coitado!)
Ele roubou os brinquedos, cada um, muito bem guardado.
Ele roubou os perus e os pudins e as tortas!
Arrancou as meias penduradas nas portas!
Limpa a árvore de Natal, sem luz, sem estrela,
Deixando a sala vazia, pra todos vê-la.
"Ooh-hoo-hoo!" ele riu, no topo da colina.
"Eles vão acordar amanhã e ver sua rotina
De presentes roubados e comida sumida!
Vão chorar todos juntos, com a alma ferida!"
Mas...
...no dia seguinte, o que Palito ouviu
Não foi um choro, um lamento, nem um gemido vadio.
Foi um som que subiu, do Vale-do-Pé-no-Chão,
Uma canção de Natal! Um cântico de emoção!
"Eles... eles estão cantando?" sua magreza tremeu.
"Apesar dos brinquedos que eu tirei, e o que Deus deu?"
Eles cantavam sobre alegria, e paz, e amor,
Sem presentes, sem perus, sem nenhum rubor!
E o Palito, o Palito, lá no alto, em pé,
Sentiu algo estranho, algo novo, oh boy!
Não foi sua magreza que mudou, foi sua fé!
Seu coração Palito — que era pequeno e ruim —
Cresceu três tamanhos (o que é muito pra um sim!)
Ele viu o Natal, o verdadeiro Natal, afinal,
Que não era sobre coisas, mas algo vital.
E o Menino Palito, agora com um sorriso gigante,
Estava feliz! Mais feliz que um elefante!
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