segunda-feira, 8 de junho de 2026

O Estigma sob o Temporal

No asfalto frio, sob o céu de chumbo e lodo,

A chuva cai em lúgubres estalactites;

Enquanto a noite rói, nos seus limites,

O resto do universo, o pó de todo o modo.


Ergo o guarda-chuva, esse arcabouço mudo,

Que protege o ritual, a cópula febril;

Teu corpo, híbrido e tenso, em pleno abril,

Cede ao meu vício, ao meu instinto rude.


A sucção, num ritmo de química vã,

Extrai do teu prazer a essência rara,

Enquanto a treva o horizonte separa.


E, embora a morte espreite a nossa sanha,

Sinto em teus espasmos, sob a luz ignara,

A vida que, entre o frio, em nós se assanha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário