No asfalto frio, sob o céu de chumbo e lodo,
A chuva cai em lúgubres estalactites;
Enquanto a noite rói, nos seus limites,
O resto do universo, o pó de todo o modo.
Ergo o guarda-chuva, esse arcabouço mudo,
Que protege o ritual, a cópula febril;
Teu corpo, híbrido e tenso, em pleno abril,
Cede ao meu vício, ao meu instinto rude.
A sucção, num ritmo de química vã,
Extrai do teu prazer a essência rara,
Enquanto a treva o horizonte separa.
E, embora a morte espreite a nossa sanha,
Sinto em teus espasmos, sob a luz ignara,
A vida que, entre o frio, em nós se assanha.
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