segunda-feira, 8 de junho de 2026

O Alambique da Carne


Na sombra do bordel, sob o gás incerto,

Beijo os mamilos de ébano e negrume,

Onde a vida se exala em vago lume,

No vácuo desse peito, o nada aberto!


Sinto, ao sugar, o fluxo, o sangue incerto,

A biologia em pleno seu costume;

E, ante o éter fatal, o meu volume

Busca na morte o repouso do deserto.


Oh! Pele retinta, arcabouço de seda,

Onde a matéria em átomo se enreda

Numa embriaguez de células e febre!


É o fim, é o nada, a carne que se esvai,

No gozo estéril onde o mundo cai,

Nesta agonia que o desejo abrebre!

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