No alvorecer dos dias, onde a luz jamais declina,
Vivia o Único, em realeza, em paz absoluta e fina.
Seu palácio, cravado em pedras que o sol ousava imitar,
Erguia-se em silêncio, antes do tempo o mundo despertar.
Um manto de azul profundo, como o abismo do céu sem fim,
E em sua mão, Falpel, a lâmina que sussurrava assim:
"O ferro conhece o destino, o aço sabe o que há de vir."
Mas do vazio surgiu Varot, o horror de teias e sombra,
Com a face de homem e o ventre que o mal mais vasto assombra.
Irmão do Único, contudo, traidor das eras primordiais,
Cujo ódio era o veneno que corroía os reinos celestiais.
Oh, como tremeu a luz sob o peso daquela contenda!
O Único, em manto azul, escreveu sua eterna lenda.
Falpel, a espada sábia, cantou o golpe sobre a fronte,
Até que o sangue do abismo manchasse a sagrada fonte.
Com força que move estrelas, Varot foi então lançado
Às trevas de onde viera, em silêncio e medo exilado.
Lá jaz o peçonhento, nas profundezas da sombra vil,
Tecendo mil planos de vingança, num despertar hostil.
Pois a luz habita o alto, mas o escuro espera o seu dia,
Enquanto o Único vigia, guardando o que o mundo irradia.
Nos dias que precederam a contagem das eras e o despertar dos mundos, vivia o Único nas regiões da Luz, onde o esplendor nunca se consome. Erguia-se ali o seu palácio, cujas fundações e torres eram tecidas de pedras preciosas que capturavam e devolviam o brilho de eras esquecidas. O Único vestia-se de um manto de azul vasto, como o firmamento acima das águas primeiras, e em sua mão portava Falpel, a espada de gume sábio; pois dizem as crônicas que o aço tinha vontade própria, e no silêncio daquelas paragens, a lâmina murmurava conselhos que guiavam o destino de seu senhor.
Contudo, a paz daquele domínio foi perturbada pela sombra de Varot, seu irmão de sangue e espírito, um ser cuja essência se corrompera na perversidade. Varot possuía o corpo de uma monstruosa criatura de muitas patas, tecendo desgraças, enquanto o seu rosto mantinha a máscara pálida e enganosa de um homem. Por anos incontáveis, que aos mortais pareceriam eras, o Único enfrentou a malevolência de Varot. O clamor daquela guerra ecoou pelos espaços vazios, onde o aço de Falpel encontrava a fronte do inimigo, golpe após golpe, até que, por fim, o poder de Varot foi subjugado. O Único o arremessou para além das fronteiras da Luz, lançando-o nas profundezas inomináveis do Escuro. Lá, Varot permanece em silêncio, aguilhoado por um ódio profundo e eterno, aguardando o momento em que a vigilância do Único falhe para que sua vingança possa finalmente florescer.
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