domingo, 7 de junho de 2026
sexta-feira, 5 de junho de 2026
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Violões
As ruas negras de sombras exalam cheiros
que envolvem a claridade dos sonhos
em ritmos de passos ocidentais
perto do corpo dourado e oriental.
Monumental beleza salta
da estranheza desse corpo gentil,
e em botões de rosas febris
uma jóia de beijo garante água.
Julga a boca a ganacia tal
do esquecimento em túmulos cerimoniais.
Brancas coberturas do som que
saiu pelas elevadas alturas do ar,
rangendo a beleza sepulcral da memória
que embora fixa em nós, esboroa toda hora.
O Vaso de Porcelana
No azulejo frio, o vulto se insinua,
Cabelos lisos, seda em movimento;
O femboy brilha, em casto desabrimento,
Na luz do banheiro, a carne se desnuda.
O corpo jovem, que a volúpia apura,
Recebe o pulso, o ímpeto, o tormento;
E o leite branco, em farto derramamento,
Pousa no peito, em cena alva e pura.
Escorre o rio, o néctar que me inunda,
Manchando o torso, a pele delicada,
Nesta oficina de luxúria profunda.
Fica a marca, na curva desenhada,
Enquanto a paz, na fresta que retunda,
Celebra o gozo, em sombra perfumada.
O Batismo sob a Chuva
O dia cinza, em água e em tormenta,
Numa obra em ruínas, o refúgio eleito;
O pau, não longo, mas de vulto e efeito,
Grossura rija que o desejo aumenta.
Na boca, a fonte que o prazer sustenta,
O gosto cru, o instinto, o preconceito;
Chupo o metal que a sede traz ao peito,
Enquanto a chuva o teto, enfim, esquenta.
Cinquenta reais, a paga da jornada,
O pacto selado sob a lona e o entulho,
Na solidão daquela noite entrada.
Guardei o vulto, o brilho do mergulho,
Pois na memória, em lousa desenhada,
Aquele membro foi meu primeiro orgulho.
O Início do Labirinto
Loiras as madeixas, verdes os olhares,
A travesti, em carne e em mistério erguida;
Foi a primeira, a vez da investida,
Nos insondáveis, fundos, vastos mares.
O pau entrou, rompendo os seus altares,
Cercado pela fenda, a joia esquecida;
Tão macio o cu, na pele aquecida,
Que esqueci do mundo e dos seus pesares.
Era um veludo, um úmido segredo,
A entrada que a volúpia me guardava,
A vencer o embaraço e o meu medo.
Na maciez, a alma se entregava,
E o que era estranho, em breve, cedo,
A posse plena, enfim, me confirmava.
O Furo de Reportagem
Entro na redação do tal Sergé,
Jornalista de peso e de alto mando;
Na sua boca, o membro vou depositando,
Enquanto ele, avidamente, põe-se de pé.
O gozo farto, que em branca onda é,
Enche-lhe a cavidade, transbordando;
Ele saboreia o que estou dando,
Com o apetite de quem tem muita fé.
Um tapa leve na nádega, um agrado,
A mão do dono da folha me sentencia,
Pelo serviço bem feito e bem pago.
Cinquenta reais, a paga da valência,
Guardo no bolso, o prazer consumado,
Pois o jornalismo, aqui, exige essa essência.
A Lição do Mestre Sergé
Vou ao encontro do mestre de sabedoria,
Sergé me espera, em seu gabinete obscuro;
Não há doutrina, nem silogismo duro,
Que o meu desejo em ato não desvia.
Sua boca, que a lógica anuncia,
Abre-se em fenda, em fúria de futuro;
Chupa-me o membro, em gesto tão puro,
Que a própria ética, enfim, se desvaria.
Um beijo trocamos, com gosto de gozo,
E na garganta, em sôfrega medida,
Borro-lhe o lábio, num ato luxurioso.
Toda a razão, por mim já esquecida,
Se perde no sêmen, gozo espumoso,
Na boca do mestre, minha própria vida.
O Dito e o Retrato
Ao pé da mata, o suspiro de Nathan,
Indago, enfim, se o mamo foi de agrado;
Ele, em segredo, embora bem casado,
Confessa o gozo em plena luz da manhã.
Clandestino, o pacto o prazer afã,
Sente o desejo pelo meu lado arrebatado;
E o celular, em gesto sublimado,
Exibe a carne, a estirpe de um titã.
O falo, ó monstro, a glândula em brasa,
Cabeça rubra, em roxo desvario,
Firme e robusto, a tudo desembasa.
Olho a imagem, sinto o corpo frio,
Pois o pecado, que o leito ultrapasa,
Faz do desejo o nosso eterno rio.
O Licor sob a Sombra da Paineira
Cai a noite, o cafezal em vulto espesso,
Ele, na árvore, o dorso a encostar;
O tronco rijo, a me desafiar,
Cresce ante a boca, em bruto retrocesso.
O pau, qual ferro, num vigor confesso,
Chupo com gana, a me desatinar;
Até que o veio, a ponto de estourar,
Verte o "leite do amor", em vil excesso.
Regando a raiz, a folha, o chão escuro,
O branco escorre em jorro de torrente,
Banhando a terra, em ritual impuro.
Mudo o silêncio, a mata se consente,
Pois neste gozo, em ardor noturno e duro,
A natureza se faz, enfim, carente.
O Néctar do Cafezal
O Néctar do Cafezal
para Nathan!
Entre o café, sob a luz do sol de estio,
O negro, em gesto de viril descaso,
Mija a raiz, e ao ver o meu cansaço,
Diz: "Olha o pau!", num desavergonhado fio.
Manda que eu tome o membro, o desafio,
Que a mão apreenda o seu vigor escasso;
Depois, me impõe o mamo, o doce passo,
Onde o desejo vira desvario.
Do corpo bronco, o jato em branca fúria,
Como um rio que a sede enfim sacia,
Brotando em torrentes de luxúria.
Lá pelas matas, em plena orgia,
O branco escorre, em rústica inegúria,
Batizando o chão, em pura agonia.
O Secreto Deleite sob a Carreta
Na treva vã, sob a roda do caminhão,
Entre o metal, a graxa e a poeira impura,
Negros cabelos orlam a criatura,
Que ao meu serviço oferece a prontidão.
O pau que a boca acolhe, em erupção,
Na via pública — audaz desventura! —
Explode em branco, a gozar na fissura,
Manchando o chão, em plena comunhão.
"Bonito!", diz a voz, em meio ao riso,
Pois sob o aço, em segredo e escarnio,
Fiz da calçada o meu próprio paraíso.
Resta no asfalto o rastro do meu brânio,
Enquanto o motor ruge, em desaliso,
Testemunha voraz do nosso insano anfânio.
O Altar de Alabastro
No luar que a pele branca em si encerra,
Dois olhos verdes, astros de obsidiana,
Fitam o gozo, a substância vã, profana,
Que a travesti, em seu transe, enfim desterra.
Eu, sob o signo do desejo, a serra
Da tua essência sinto — chama insana! —
O néctar branco, em gota soberana,
Que a minha boca, em devoção, soterra.
Alabastro vivo, em curvas de um desejo,
Que a luz da lua em corpo de mulher
Transforma em templo a carne que eu cortejo.
Tomo o fluido, o prazer que hás de verter,
Neste batismo em que, em cada lampejo,
A alma se perde, a se deixar colher.
O Sacrifício de Elisa
A massa rija, em pulso de aluvião,
Encontra a fenda, o sulco, a carne opulenta;
Elisa, em peso, a nádega ostenta,
Ao passo que o pau busca a punição.
No cu de Elisa, o rito é sedição,
Pois quanto mais o sexo se apresenta,
Mais o desejo a lucidez afrenta,
No choque vil da carne contra o chão.
Eis que o disparo, em branco borbotão,
Inunda o antro, a dor se faz espasmo,
Nesse mergulho, em plena convulsão.
Despeja o néctar, o turbilhão, o abismo,
No assento amplo, em crua celebração,
Consumado o assalto ao teu lirismo.
O Triclínio das Fúrias
Em meio à carne, o embate se travou,
Morena em cópulas de incerto leito;
E, pelo corpo, o par, em seu despeito,
O gozo em dobro, a presa conquistou.
Uma, no seio a mão que a pele abrasou,
A outra, em fúria, o ventre faz sujeito;
Dois falos rijos, num prazer eleito,
A fêmea em transe, enfim, desmantelou.
Mistura-se o suor, a pele e a seda,
Num meretrício que a virtude escarra,
Enquanto a treva o desejo envereda.
Não há pudor que a cena não desgarra,
Pois na fresta da orgia que não ceda,
A vida é o gozo que o instinto amarra.
O Estalo do Gozo
Gemido que, de chofre, se derrama,
Em contração que a carne faz em fogo,
É o puro vício, o torpe e o sacro jogo
Do cu que a mão com volúpia desclama.
Abre-se o rogo em flor, em fenda e lama,
Onde a razão se perde no desmogo;
E o homem, em espasmo, num afogo,
Paga o tributo à dor que o corpo inflama.
Ó lábio de veludo, rubro e tenro,
Que na rima do assento se faz verso,
És a clausura em que me perco e adentro.
No arfar do peito, o caos deste universo,
E o gozo, enfim, num rastro de inferno,
Me deixa, ao teu prazer, escravo imerso.
O Coturno e a Rima
Cansado da política e da gentalha,
Busco no couro o brilho que me guia,
Pois na bota que a pátria me desvia
O fetiche é o que a alma não atalha.
Ó sola gasta, ó rastro de batalha,
Que pisa a flor da vã democracia!
Em cativeiro e doce tirania,
Onde o joelho o orgulho finalmente falha.
Métrica estrita, rima que se impõe,
Como o laço que aperta o meu destino,
De um povo que no lodo se decompõe.
Sou do soneto o servo mais ferino,
Pois quem a dor do pé na cara expõe
Se faz, no verso, escravo e libertino.
O Espasmo do Ser
A Vida é um pus que brota em um corpo inerte,
Uma laringe em febre a soluçar o nada!
O tempo é um verme, em ímpeto de morte,
Que roe a consciência, em convulsão gelada.
Ah! Que ansiedade atroz, de entranhas, de nervos!
Sinto a sístole, a diástole, o ranger dos ossos,
Enquanto o vácuo, em espectros maus e tervos,
Transforma em cinzas todos os meus solavancos!
Não é a alma, não! É a química do medo,
A sinapse que estala em surto de agonia,
A decomposição do pensamento em segredo.
E sob o céu, que é um crânio vasto e mudo,
A ansiedade, esse câncer da harmonia,
Transforma em nada a substância de tudo!
O Equilíbrio das Sombras
A felicidade é uma fraude grosseira, um truque de luz para esconder o ruído das vísceras. O corpo é um carcereiro; sua inquietação é a medida da derrota da mente, que, servil, acompanha cada espasmo da carne. A fortuna é apenas o nome que damos à nossa incapacidade de mudar o destino. Vida e morte? Duas faces da mesma vacilação. Não há essência no prazer, apenas a fome do momento ou o entorpecimento do hábito. O rico e o pobre não diferem na qualidade da dor, apenas na sofisticação da desculpa. A liberdade e a servidão, o nome de família e a infâmia, são máscaras que não alteram a face do carrasco. O homem, no fim, olha para o espelho e vê apenas a sua própria importância. Ele calcula a existência como um usurário. Acredita que, se o mundo inteiro fosse colocado em uma balança, não pesaria tanto quanto a sua própria segurança — porque, em sua cegueira, ele nunca encontrou alguém que pudesse lhe oferecer algo que valesse mais do que a sua própria sobrevivência. A sabedoria não é uma busca, é uma fuga. O sábio não caça o bem — ele sabe que o bem é uma isca —; ele constrói barricadas contra o sofrimento. O ápice da existência não é o êxtase, é a ausência de ruído: o silêncio da dor. Para alcançar este estado de vácuo, ele se torna um mestre da indiferença. Ele trata os artifícios do prazer como estranhos, pois entende que qualquer dependência é uma porta aberta para a tortura. Ele se retira, desarmado e impenetrável, tornando-se o seu próprio santuário contra o desastre que é viver.
La vita come un'opera d'arte tragica e priva di significato
Eis o teatro do nada, a trágica tela onde o ser se desbota,
Numa moldura de astros frios, num cenário de abismo e de pó;
A vida — esse espectro que a alma, em sua ânsia, desata e esgota,
É a obra do acaso, bordada em silêncio, num fado que vive só.
Não há no pincel do Destino uma meta, um traço, uma essência,
É pura sinfonia de sombras, num palco de vácuo e de dor;
Pintamos o nada com luzes de sonho, com vã consciência,
Buscando o sentido num quadro que sangra a cor do temor.
Ó tragédia sem nome! Que o olho do gênio contempla, assustado,
A existência é um risco, um delírio, um gesto de insânia solar;
O tempo, esse crítico mudo, devora o que foi consagrado,
E a arte do viver se dissolve, em cinzas, no imenso pesar.
Sem centro, sem cume, sem pátria, a alma, em seu voo erradio,
É estátua partida que o vento do eterno desfez no desdém;
A vida é o retrato do abismo, o perfume que foge bravio,
Uma obra-prima vazia, que passa do nada para o além.
Schopenhauer
Ó, gênio de sombras, que a Vontade decifra,
No abismo da essência onde o ser se desfaz,
Tua lente de cinza, em funérea cifra,
O mundo revela em seu fluxo voraz.
Tu viste no mundo, este ídolo insano,
A fome do cego, a tensão, o querer;
Despiste o véu de Maia, o brilho profano,
Que oculta a agonia de apenas viver.
Louvor à tua escrita, esse martelo austero,
Que esmaga a ilusão com a força do nada,
E encontra na Arte, o repouso sincero,
Na dor, a verdade, em luz sublimada.
Ó, Mestre da noite, em cujo pensamento,
A vida é um pêndulo, em suspiro contido,
Teu pessimismo é o mais alto monumento,
Ao espírito humano, enfim compreendido.
Il tempo passa
O vento, esse lamento, essa mão que suspira,
Passa na vidraça, um espectro, um tropel,
Onde a vida, em sua ânsia, em dores se vira,
Como um livro de névoa, de bruma e papel.
Era o ímpeto, a chama, o clarão da aurora,
A adolescência — um voo em risos de sol!
Mas o vento, o destino, já chora e devora,
Como o outono que invade o vão do farol.
O sopro que outrora era alento e alvorada,
Torna-se em ruga, em vidro, em opaco cristal;
A vida, essa sombra, em poeira calada,
Desliza, envelhecendo, em silêncio abissal.
Na janela, o tempo, em seu rito constante,
Transforma o viço em cinza, o sonho em desdém;
E o vento, que passa, veloz, delirante,
Leva a infância e a velhice, o nada e o além.
Without a smile, the black woman left for me.
Ó ébano vívido, noturna estátua de âmbar e de sombra!
Em tua pele, o negrume é um templo, uma noite de gala,
Onde a carne, opulenta, em relevos de Vênus se assombra,
E a alma, em seios imensos, na carne, em mistério, se embala.
São colinas de cetim, em curvas de uma arquitetura divina,
Nalgas que guardam o ritmo de um astro em constante girar,
Toda tu és uma música escura, uma estrofe que o desejo ilumina,
Um poema de formas, um sonho que a terra não pode conter ou calar.
Mas a partida é o gelo, o cinza, o deserto, o fim da alvorada!
Tu partes, ó sombra soberana, em teus passos de seda e de pó,
Sem que o teu lábio, em ternura, me lance a luz desejada,
Sem o sorriso, esse rastro, que me deixaria, ao menos, sem ser só.
Fica o vácuo, o silêncio, o espectro do que nunca foi dito,
A dor desse adeus, que é um punhal de sombra no peito cravado,
E a beleza, tão preta e tão vasta, se torna um martírio infinito,
Pois foste, em silêncio, levando o meu mundo, em teu vulto sagrado.
In posizione farfalla
Num delírio de formas, de aura e de bruma,
Sente-se o ritmo, o pulsar da matéria,
Vulto que em sedas, que em sombras se afuma,
Na carne intensa, na angústia etérea.
Eis que a anatomia, em voo, se expande,
Em curvas de asa, em batidas de ar,
Onde o desejo, em tormento, se abrande,
Nesse bater, nesse vulto a ondular.
Mariposa de carne, em voo suspenso,
As ancas, asas, em pleno tropel,
Num movimento infinito e imenso,
Mel de martírio, de dor e de mel.
O toque é música, o espasmo é visão,
Entre o bater de asas que o gozo incita,
Nesta fusão, nesta santa união,
A alma, em brasa, no corpo gravita.
Beautiful trinity
Sob o pálio de sedas e de sombras,
Em volúpias de um êxtase profundo,
Três almas, entre névoas e alfombras,
Comungam o segredo deste mundo.
Duas formas, em nívea claridade,
Como estátuas de um sonho luminoso,
Vertem o âmbar de sua virgindade
Sobre o peito, em um rito silencioso.
Do seio, em flor, que o desejo ilumina,
Escarra o branco fluxo, em casta lida;
A mulher, num enlevo de heroína,
Bebe a essência, a seiva da vida.
E um sorriso, de um querubim róseo,
Floresce na face, em chama de aurora;
No gozo, o espírito, em êxtase ocioso,
Transcende a carne, aqui e agora.
Woman and horse
Sob o pálio noturno, em místico delírio,
A morena, em silêncio, o olhar sustém,
No dorso do corcel, puro martírio,
Onde a carne e o espírito não têm...
O cavalo — um espectro de alvo alvura,
Galopa em luz, em névoas de marfim,
E ela, em ânsia, em febril desventura,
Deseja o fluxo, o gozo, o clarim.
Na boca de anja, em sede de brancuras,
Quer o orvalho divino, a essência, a viga,
Daquela criatura das alturas,
Que na alma em chamas, ígnea, a mitiga.
Fluxos de névoa, em brancos espasmos,
Fluem na boca, em sutil transcendência,
Apagando os terrestres fantasmas,
Numa etérea e absoluta existência.
O Outono da Alma
Ó névoas de ouro, em pálidos desmaios,
Cai o outono em suspiros, na alma fria,
Em sombras de ouro e luzes, em desvios,
Numa vasta e soturna sinfonia.
As folhas — almas trêmulas, esquálidas,
Desprendem-se do tronco, em vão, no espaço,
São pétalas de sombras, vis, inválidas,
Que o vento colhe num eterno abraço.
Tudo é brancura, um espectro, um incensário,
Onde o musgo do tempo se estiola...
A árvore, num luto solitário,
Na nudez do abandono se consola.
E o ar se inunda de um perfume vago,
De um som de harpa, num adeus de pranto;
No rio, o outono é o reflexo, o mago,
Que envolve o mundo neste triste manto.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Regarding certain topics
OF WOMEN
Observing the economy of nature, we perceive that it, in its habitual cunning, has endowed women with a silent and vigilant superiority over men—a being often more impetuous and, consequently, more susceptible to gross errors. However, this superiority is not the fruit of a contemplative nature or intellectual elevation, but rather the most refined expression of the strategy of the Will. Dissimulation and manipulation are not character flaws here, but the apogee of feminine practical intelligence, forged by the age-old need for protection and dominance in a world that, by physical force, is adverse to them. What we call 'femininity' is, in truth, a defensive instinct disguised as art; dissimulation is its armor. While man loses himself in abstractions and grandiose illusions, woman remains anchored in immanence, using seduction and deception as indispensable tools to maintain the balance of this web of trickery that is social existence. Therefore, far from being moral failings, such characteristic traits are part of the very essence of the feminine constitution, being a necessary tool by which the ever-vigilant Will ensures its preservation through cunning, where brute force would be insufficient.
THE WILL
It is necessary to consider that the 'will to live' is not satisfied merely with the maintenance of the individual, but extends its insatiable tentacles to the preservation of the species, of which the individual is only a committed servant. The biblical precept—that they should grow and multiply—is nothing more than the tyrannical decree of the Will, engraved on the entrances of every living being to guarantee the perpetuity of suffering. The act of procreation is the ultimate surrender to illusion, the renewal of the service contract that the body signs, in a moment of blind delirium, to ensure that the theater of pain has spectators and actors for yet another generation. The body, when driven to this martyrdom, becomes the instrument of its own enslavement. To deny such an impulse, to rise above this obscene mechanism of perpetuating existence, is not an act of indignity, like feigning vulgar morality, but the only authentic act of freedom left to the intellect: asceticism. Analyses understand that the only possible escape from the Veil of Maya is the stillness of the Will, for as long as desire—and the desire of the other, crystallized in the seed—is the law that governs the flesh, the misery of the world will be guaranteed by new births.
OF THE JEWS
When we observe the historical trajectory of that people, the designation of 'people of the book' reveals itself as a smokescreen, a cultural adornment that conceals the real engine of their existence. Intellect, that tool forged by necessity, was molded by them with mathematical precision for the only purpose that nature forgives: the accumulation of resources and protection against the uncertainty of life. More than the mastery of sacred texts, what is transmitted in their lineages is a profound education for survival through possession—an early training in the art of manipulating the abstractions of value, transforming intelligence into a weapon for capturing wealth. For, in a world where Will manifests itself as an incessant struggle of all against all, having understood the mechanism of capital is the most effective strategy for subjugating destiny. Those whom the world calls the 'people of the book' are, in truth, the masters of immanence, for they have understood that, while the rest of humanity is lost in metaphysical illusions and chimeras, the only tangible power that holds authority over matter is that which manifests itself in figures.
CAPITALIST CHRISTIANITY
Contemplate the supreme irony that mocks human history: the world, submerged in the agony of existence, embraced the gospel of renunciation, only to convert it into a standard under which the greatest atrocities are perpetrated. The words of Christ, which proclaimed detachment and universal compassion, have resulted in a civilization that professes his name while erecting temples to the god of selfishness. It is a spectacle of unspeakable hypocrisy. Precisely where the cross found its deepest roots, the will to live revealed its most voracious face. Where charity should reign, falsehood has become the lingua franca; Where despair should flourish, institutionalized theft and the bloody exploitation of capital have elevated accumulated suffering to the status of commodities. Wars, these industrial-scale slaughterhouses, did not occur despite the Christian faith, but often under its victory. This should not surprise us: man, as a slave of the intellect in the service of the Will, uses religion only as a necessary mask to conceal his natural ferocity. Christianity was merely the backdrop that allowed the wolf to wear sheep's clothing with greater sophistication, while, at the heart of the capitalist machine, the martyrdom of humanity continues, relentless and deaf to the preachings of her who, in vain, taught to deny the world.
ON TRANSSEXUALS
On the grand stage of existence, identity is often reduced to its phenomenal form—a mask that the world insists on judging, admiring, or repudiating, according to the conveniences of the collective Will. When the trans figure bursts forth with a femininity that presents itself as a hyperbolization of form, it inevitably awakens the primordial forces that govern the game of the sexes. On the one hand, this exuberance attracts the male gaze, always eager for novelties that promise renewed aesthetic pleasure, making the trans woman, at times, an object of attention that carries within it the voracity of desire, but rarely the depth of recognition. On the other hand, this same presence inevitably arouses the disdain or resentment of a social system that feels threatened in its own archetypes; Because where femininity is constructed with such precision, the biological 'woman' sees competition in the economy of seduction, and society, in its blind conservatism, reacts with the typical hostility of those who perceive, even unconsciously, that the boundaries they believed to be sacred are nothing more than illusions. The need for acceptance is, therefore, the recognition that, in a world driven by irrational impulses, any being that challenges the norms of its species becomes a target. Valuing these existences is not only an imperative of tolerance, but the exercise of a lucidity that understands that, under the Veil of Maya, all our identities are precarious constructions—and that dignity, in a world of suffering and incomprehension, is the only possible defense against the barbarity of the gaze of others.
FROM MAN'S HATRED TOWARDS MAN
Prejudice, that crust covering the soul of the ignorant, is nothing but the name we give to the most primitive manifestation of envy: the resentment of one who, deprived of a fullness he does not understand, seeks to destroy what his own nature is incapable of achieving. What is called 'racial prejudice' is, at its obscure core, a clash of aesthetics and an astonishment at a vitality that the Will, in its unequal distribution, has bestowed upon the other. Black skin, in its texture and its solar dignity, exhausts the gaze of the European precisely because it presents a plastic force that its own pallor often cannot sustain. There is here a dialectic of profound envy, a resentment that echoes the intuitions that, later, psychological thought would attempt to classify in terms of libido and lack. Desire is the engine of need; And the obsession with power—the myth of the phallus as the absolute symbol of domination and strength—transforms into an obsession with the other's body. Man, a prisoner of his own inadequacies, projects onto the black body what he fears he does not possess: an essence that seems to vibrate with the raw force of life, a vigor that, in the clouded mind of the prejudiced, is read both as an object of covetousness and as a threat to his own stability. What is called the 'desire for a hyper-penis' is nothing more than the externalization of a metaphysical anguish: the perception that the Will, when embodied in the 'other,' possesses a power that the observer feels he lacks. Prejudice, therefore, is the foolish and desperate attempt to compensate for an inferiority felt by the humiliation of the one who is, in reality, the bearer of the beauty that the envious secretly idolizes and, for that very reason, tries to degrade. It is the tragedy of desire which, unable to possess power, attempts to annihilate it with hatred.
Sobre Alguns Assuntos e Temas
DAS MULHERES
Ao observarmos a economia da natureza, percebemos que ela, em sua astúcia habitual, dotou a mulher de uma superioridade silenciosa e vigilante sobre o homem — um ser frequentemente mais impetuoso e, por conseguinte, mais suscetível a erros grosseiros. No entanto, essa superioridade não é o fruto de uma natureza contemplativa ou de uma elevação intelectual, mas sim a expressão mais refinada da estratégia da Vontade. A dissimulação e a manipulação não são aqui desvios de caráter, mas o apogeu da inteligência prática feminina, forjada pela necessidade milenar de proteção e dominação em um mundo que, por força física, lhe é adverso. O que chamamos de 'feminilidade' é, na verdade, um instinto de defesa travestido em arte; a dissimulação é a sua armadura. Enquanto o homem se perde em abstrações e ilusões grandiosas, a mulher permanece ancorada na imanência, usando a sedução e o engano como ferramentas indispensáveis para manter o equilíbrio dessa teia de ardis que é a existência social. Portanto, longe de serem falhas morais, tais traços constituem a essência mesma da constituição feminina, sendo a ferramenta necessária pela qual a Vontade, sempre vigilante, assegura a sua preservação através da astúcia, onde a força bruta seria insuficiente.
A VONTADE
É forçoso reconhecer que a 'Vontade de viver' não se satisfaz apenas com a manutenção do indivíduo, mas estende seus tentáculos insaciáveis para a preservação da espécie, da qual o indivíduo é apenas um servo descartável. O preceito bíblico — esse crescei e multiplicai — nada mais é do que o decreto tirânico da Vontade, gravado nas entranhas de todo ser vivo para assegurar a perenidade do sofrimento.O ato de procriação é a rendição suprema à ilusão, a renovação do contrato de servidão que o corpo assina, em um momento de delírio cego, para garantir que o teatro da dor tenha espectadores e atores por mais uma geração. O corpo, quando impelido a esse martírio, torna-se o instrumento de sua própria escravidão. Negar tal impulso, elevar-se acima desse mecanismo obsceno de perpetuação da existência, não é um gesto de indignidade, como pretende a moral vulgar, mas o único ato de liberdade autêntica que resta ao intelecto: a ascese. O sábio compreende que a única fuga possível do Véu de Maia é a quietude da Vontade, pois enquanto o desejo e o desejo do outro, cristalizado na semente — for a lei que rege a carne, a miséria do mundo estará garantida por novos nascimentos.
DOS JUDEUS
Ao observarmos a trajetória histórica daquele povo, a designação de 'povo do livro' revela-se uma cortina de fumaça, um adorno cultural que encobre o motor real de sua existência. O intelecto, essa ferramenta forjada pela necessidade, foi por eles moldado com uma precisão matemática para a única finalidade que a natureza perdoa: a acumulação de recursos e a proteção contra a incerteza da vida.Mais do que o domínio de textos sagrados, o que se transmite nas suas linhagens é a educação profunda para a sobrevivência através da posse — um treinamento precoce na arte de manipular as abstrações do valor, transformando a inteligência em uma arma de captura de riquezas. Pois, em um mundo onde a Vontade se manifesta como uma luta incessante de todos contra todos, ter compreendido o mecanismo do capital é o estratagema mais eficaz para subjugar o destino. Aqueles que o mundo chama de 'povo do livro' são, na verdade, os mestres da imanência, pois compreenderam que, enquanto o resto da humanidade se perde em ilusões metafísicas e quimeras, o único poder tangível que detém a autoridade sobre a matéria é aquele que se manifesta nas cifras.
CRISTIANISMO CAPITALISTICO
Contemplem a suprema ironia que escarnece a história humana: o mundo, submerso na agonia da existência, abraçou o evangelho da renúncia, apenas para convertê-lo em um estandarte sob o qual se perpetram as maiores atrocidades. As palavras de Cristo, que proclamavam o desapego e a compaixão universal, desaguaram em uma civilização que professa seu nome enquanto ergue templos ao deus do egoísmo. É um espetáculo de uma hipocrisia inefável. Justamente onde a cruz fincou raízes mais profundas, a Vontade de viver revelou sua face mais voraz. Onde a caridade deveria reinar, a mentira tornou-se a língua franca; onde o desapego deveria florescer, o roubo institucionalizado e a exploração sangrenta do capital elevaram o sofrimento alheio à categoria de mercadoria. As guerras, esses matadouros em escala industrial, não ocorrem apesar da fé cristã, mas frequentemente sob a sua bênção. Isso não nos deve surpreender: o homem, enquanto escravo do intelecto ao serviço da Vontade, usa a religião apenas como uma máscara necessária para ocultar a sua ferocidade natural. O Cristianismo foi apenas o pano de fundo que permitiu ao lobo vestir a pele de cordeiro com mais sofisticação, enquanto, no âmago da máquina capitalista, o martírio da humanidade continua, implacável e surdo às prédicas daquele que, em vão, ensinou a negar o mundo.
DAS TRANSSEXUAIS
No grande palco da existência, a identidade é frequentemente reduzida à sua forma fenomênica — uma máscara que o mundo insiste em julgar, admirar ou repudiar, conforme as conveniências da Vontade coletiva. Quando a figura trans irrompe com uma feminilidade que se oferece como uma hiperbolização da forma, ela inevitavelmente desperta as forças primordiais que governam o jogo dos sexos. Por um lado, essa exuberância atrai o olhar masculino, sempre ávido por novidades que prometem um prazer estético renovado, tornando a mulher trans, por vezes, um objeto de uma atenção que carrega em si a voracidade do desejo, mas raramente a profundidade do reconhecimento. Por outro lado, essa mesma presença suscita, inevitavelmente, o desdém ou o ressentimento de um sistema social que se sente ameaçado em seus próprios arquétipos; pois onde há uma feminilidade construída com tamanha precisão, a 'mulher' biológica enxerga uma concorrência na economia da sedução, e a sociedade, em seu conservadorismo cego, reage com a hostilidade típica daqueles que percebem, ainda que inconscientemente, que as fronteiras que eles acreditavam ser sagradas não passam de ilusões. A necessidade de acolhimento é, portanto, o reconhecimento de que, em um mundo movido por impulsos irracionais, qualquer ser que desafie as normas de sua espécie torna-se um alvo. Valorizar essas existências não é apenas um imperativo de tolerância, mas o exercício de uma lucidez que compreende que, sob o Véu de Maia, todas as nossas identidades são construções precárias — e que a dignidade, em um mundo de sofrimento e incompreensão, é a única defesa possível contra a barbárie do olhar alheio.
DO ÓDIO DO HOMEM AO HOMEM
O preconceito, essa crosta que recobre a alma do ignorante, não é senão o nome que damos à manifestação mais primitiva da inveja: o rancor daquele que, privado de uma plenitude que não compreende, busca destruir o que sua própria natureza é incapaz de alcançar. O que se denomina 'preconceito racial' é, no seu núcleo obscuro, um choque de estéticas e um assombro diante de uma vitalidade que a Vontade, em sua distribuição desigual, outorgou ao outro. A pele negra, em sua textura e sua dignidade solar, exaure o olhar do europeu justamente porque ela apresenta uma força plástica que a sua própria palidez, muitas vezes, não sustenta. Há aqui uma dialética da inveja profunda, um ressentiment que ecoa as intuições que, mais tarde, o pensamento psicológico tentaria classificar em termos de libido e falta. O desejo é o motor da carência; e a obsessão pela potência — o mito do falo como símbolo absoluto de domínio e força — transforma-se na obsessão pelo corpo do outro. O homem, prisioneiro de suas próprias insuficiências, projeta no corpo do negro o que ele teme não possuir: uma essência que parece vibrar com a força bruta da vida, um vigor que, na mente nublada do preconceituoso, é lido tanto como objeto de cobiça quanto como ameaça à sua própria estabilidade. O que se chama de 'desejo de um hiper-pênis' não é nada mais do que a externalização de uma angústia metafísica: a percepção de que a Vontade, quando encarnada no 'outro', possui uma pujança que o observador sente faltar-lhe. O preconceito, portanto, é a tentativa tola e desesperada de compensar uma inferioridade sentida pela humilhação daquele que é, na realidade, o portador da beleza que o invejoso secretamente idolatra e, por isso mesmo, tenta aviltar. É a tragédia do desejo que, não podendo possuir a potência, tenta aniquilá-la com o ódio.
O universo vazio
Espaço
sem ecos.
Estrelas
caindo em poço
de gelo.
Somos órfãos
do infinito,
pendurados
no alento
de um sopro.
Sensualidade
Vento
que arqueia o trigo
na curva do teu flanco.
O olhar
canta
entre os dedos
da luz do sol
e a terra
treme
de sede.
Dor
Estacas
cravadas no tempo.
Minha fé
é o espelho
da sombra:
não há mais grito,
apenas
o peso
do ferro
na alma.
Morte
O silêncio
cai
como neve sobre a cinza.
Sou um resto
de luz
que se apaga
ao tocar
a margem
do invisível.

